quarta-feira, 13 de abril de 2011

O passeio

Hoje fui com uma de minhas turmas ao morro do Corcovado. A ideia era perfeita! Amarramos tudo em um projeto que mistura índios, Rio de Janeiro, cartas/cartões postais/bilhetes, família, floresta/cidade... e acabamos optando por esse local.
Nunca podia imaginar que às 8horas da manhã de uma quarta-feira, o bondinho estaria lotado de turistas que vieram nas mais diferentes excursões - a maioria de navio - e que isso iria atrapalhar a nossa visita.
As crianças não deixaram de aprender o que fomos lá trabalhar, mas eu fiquei um pouco frustrada como um ponto turístico da nossa cidade não está preparado para receber excursões escolares e como eles dão preferência nítida aos turistas do que aos nossos pequenos brasileiros.

Organizar um passeio não é fácil, manter a disciplina das crianças ao longo do passeio também não, mas não ter o apoio necessário do local e nem dos turistas para realizar uma excursão, deixa qualquer professor sem vontade de programar uma próxima!

Freinet, o grande mestre que inventou a ideia da aula-passeio, que me desculpe... mas é preciso não só educar as crianças e ensiná-las a se comportarem fora da escola. É preciso educar os adultos e ensiná-los a respeitar uma turma de crianças que deseja aprender!

É isso... Vanessa Gerhard

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Alo Realengo...aquele abraço...

Na última quinta-feira vimos um atentado a uma escola da rede pública do bairro de Realengo no Rio de Janeiro.
No mesmo dia eu sai do trabalho e fui para casa com febre. Estava pensando em descansar, mas foi só ligar a TV e me deparar com o ocorrido, que uma angústia foi me tomando e acabei descansando pouco.
Pensei nas crianças que faleceram...pensei em suas famílias...pensei nos motivos pelos quais um ex-aluno resolve fazer um atentado em um lugar que só deveria ter lhe proporcionado momentos de crescimento e alegrias...pensei em meus colegas de trabalho.

Como retomar a rotina de uma escola depois de um atentado como esse?

Acabar com o prédio da escola? Limpá-lo? Reformá-lo? Transformar as salas em que houve o atentado em outros ambientes?

São algumas ideias difundidas na mídia... mas a pergunta que não sai da minha cabeça é:
Será que eu conseguiria ter forças de levantar todas as manhãs e trabalhar novamente em um lugar tão traumático?

Será que conseguiria fazer a chamada sem me emocionar com os nomes dos que faleceram?

A resposta é EU NÃO SEI!

Só quem passa por um trauma como esse pode dizer como poderia se sentir diante de uma situação dessas.

Eu, enquanto colega, desejo força aos professores e à equipe pedagógica daquela escola e torço para que os alunos possam ter de novo o desejo de aprender!

Mando meu abraço a todo a comunidade de Realengo que está sofrendo nesse momento com o ocorrido e me pego com Deus...

é o que me resta... pensar...

Se o atentado poderia ser evitado? Eu acho que não! Normalmente um ex-aluno é bem vindo em sua antiga escola e entraria de alguma maneira.

Peço a meus colegas apenas que cuidemos dos nossos atuais alunos, dando-lhes atenção e carinho merecidos, pensando sempre que o nosso aluno de hoje é o ex-aluno de amanhã!

e que Deus nos proteja...

Vanessa Gerhard

sábado, 2 de abril de 2011

2 de abril - DIA MUNDIAL DO AUTISMO

No curso Normal eu tinha uma professora de Didática que dizia que assim: "Não estou preparando vocês para trabalhar com crianças cheirosinhas e com furinho no queixo e sim com aquelas remelentas, com nariz escorrendo..." Pois é, ela tinha tanta preocupação em nos preparar para lidar com crianças de classes sociais menos favorecidas, para trabalhar com crianças diferentes de nós - alunas de classe média do curso de formação de professores - em termos financeiros, que se esqueceu de nos preparar para trabalhar com as crianças com necessidades especiais.

Foi ainda durante o curso normal que fui trabalhar em uma creche e lá tive contato com minha primeira criança autista. Eu não tinha formação e nem informação alguma para trabalhar com aquela criança, mas eu precisava de um estágio, a creche queria uma estagiária e lá estava eu, aos 16 anos, numa sala de alfabetização, com a missão de ser mediadora de duas crianças com necessidades especiais, sendo uma delas autista.
Cheguei no curso normal toda feliz para contar que tinha arrumado aquele estágio e a professora, que queria que a gente fizesse estágio em escola pública, dizendo que a escola estava me explorando.
Mal sabia ela que aquela situação ia me preparar para trabalhar com uma de minhas paixões em se tratando de necessidades especiais: os autistas.
Quando você chega em uma sala com uma criança autista, você não tem noção do que ela vai fazer. Para mim ele olhava para o nada, ensaiava algumas palavras escritas e saia muito da sala. Como um sonâmbulo, ele caminhava até o escorrega do pátio da escola e ficava lá no meio. Eu ficava lá, parada ao lado dele, esperando ele sair do que eu chamava de "transe". Mal sabia eu de tudo que ele estava passando...
Mas consegui concluir aquele ano com duas alegrias: ve-lo passando de ano e ve-lo me abraçando e dizendo que me amava.
Depois que saí da creche eu nunca mais o vi.

A faculdade de pedagogia foi a primeira a me apresentar ao mundo das necessidades especiais e foi lá que pude fazer um trabalho sobre os autistas, conhecer a AMES e fazer observações em um consultório de uma fonoaudióloga que trabalhava com autistas de várias idades. Lá eu me apaixonei.
Depois disso li muito e convivi com outras crianças autistas e eles são apaixonantes.
Falando poeticamente é como se eles tivessem uma bolha de sabão ao redor, onde eles saem e entram quando desejam... sei que não é bem assim, mas às vezes dá até uma certa inveja dessas pessoas que podem se desligar desse mundo caótico e violento.

Os autistas são mais do que pessoas com necessidades especiais, eles são especiais e ponto!

É muito emocionante ver aquelas crianças que tem dificuldade de interagir, interagindo com você, te abraçando e dizendo que gosta de você. É emocionante ve-los crescendo e aprendendo.

Os autistas são capazes de quase tudo... ler, escrever, calcular, fazer esportes, faculdade...

Não vou ficar aqui descrevendo o autismo...acho que qualquer um pode buscar informações através de filmes como "Rain Man" e outros materiais que a internet apresenta.
Minha intenção aqui é descrever minha emoção e agradecer a todos os autistas que já passaram pela minha vida, pois eles, sem saber, tiveram o poder de mudar minha visão de mundo, de pessoa e principalmente de educação.

Espero que o mundo se prepare para lidar com eles, acolhe-los e proporcionar-lhes oportunidades de uma vida plena e feliz.

Desejo força às famílias que enfrentam o desafio de ter um autista na família e peço que se dediquem a esse presente que a vida lhes deu.

É isso aí...Vanessa Gerhard

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Situações novas...

Em alguns momentos, as novas situações pelas quais uma criança passa, podem alterar a relação dela com a escola. Uma mudança de casa, a separação dos pais, a chegada de um irmãozinho...entre alguns fatores, pode fazer uma criança não querer mais ir à escola, não querer entrar na sala, mudar sua participação durante as aulas...
Muitos pais costumam culpar a escola pela falta de vontade dos filhos e em alguns momentos o problema está mesmo na escola, mas é importante não partir do princípio que... é preciso observar melhor as crianças, conversar com elas e descobrir onde está o problema. Às vezes uma simples conversa resolve tudo, às vezes é preciso do auxílio dos professores, orientadores e toda equipe escolar... o importante é dar voz às crianças. Elas, só elas, podem nos dar o caminho para compreende-las, ajudá-las e amá-las.

É isso... Vanessa Gerhard