No texto anterior chamei a atenção de colegas (educadores) para a questão do erro...
Agora chamo a atenção dos pais para a questão do estímulo...
Ano passado, por meio de uma promoção, pude adquirir "O Livro do Papai", do humorista Hélio de la Peña. Na época estava enrolada leituras para a pós e outras tantas que formavam uma pilha em minha cabeceira e não pude ler.
Agora que a pilha estava diminuindo, resolvi pegar o livro para ler e quase no finzinho da leitura me deparei com um capítulo, cujo título é "Júnior é um gênio", que poderíamos dizer que trata de educação.
Na página 113, o humorista declara:
" O que os pais desejam é que seu filho seja normal como as outras crianças, apenas mais inteligente, mais forte, mais capaz, mais bonito e, se possível, mais rico. No fundo, só os mais neuróticos sonham com um minigênio em casa, um cdf vivendo num mundo à parte, zoado pela turma do colégio no recreio por não saber jogar bola ou beijar uma garota. Nada disso, o que os pais querem é uma criança que não atrapalhe as férias da família com aulas de recuperação durante o verão.
Desde os primeiros dias de vida, a criança pode ter a inteligência estimulada. Entretanto, a maioria dos pais deixa para fazer isso às vésperas do vestibular. Tarde demais. A massa cinzenta mantida 15, 16 anos em repouso terá dificuldade para entrar em atividade."
Diante dessa declaração do humorista, que claramente não tem formação de educador, eu me pergunto... seria esse o problema das nossas crianças e jovens? Falta de estímulo por parte da família! Será verdade que aqueles pais, que não são formados para serem educadores, realmente só querem que seus filhos não atrapalhem as férias da família? Será que é por isso que vemos milhares de jovens frequentando cursinhos pré-vestibulares e pouquissimos pais realmente preocupados com a aprendizagem dos pimpolhos quando ainda estão no Ensino Fundamental? Será que se esses pais se preocupassem desde pequenos a estimular " a massa cinzenta", nossas crianças seriam mais atentas e teriam melhores resultados?
Frequentemente os jornais declaram que não sei quantos por cento da população terminam o Ensino Fundamental sem saber ler e interpretar textos e que isso interfere na aprendizagem de todas as outras disciplinas.
Será que com estímulo e atenção das famílias essa realidade mudaria?
Deixo essas perguntas no ar desejando respostas, comentários, interferências de colegas e não colegas...
E aí?
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Trabalhando com erros
RECUPERANDO OS ALUNOS, TRABALHANDO COM OS ERROS...
Compreender os erros dos alunos sempre foi um desafio para os professores. Uns acreditavam que se o aluno erra é porque ele não presta atenção, ou não quer saber da matéria, outros acreditam que o aluno erra porque tem dificuldade, ou porque tem alguma deficiência – ou seja, o erro é sempre voltado para o aluno. A culpa do ato de errar é do aluno, portanto o professor nada pode fazer. É obvio que essas hipóteses não estão descartadas, mas , quando o professor tenta conhecer melhor o aluno e descobrir a origem do seu erro, o problema toma novo foco.
Ninguém é perfeito...
Se todo professor partisse dessa premissa, de que ninguém é perfeito, metade dos problemas que assombram os professores acerca do erro se resolveriam.
A meu ver, o primeiro passo para se acertar com os alunos é ter a certeza de você professor também erra, e que, se eles podem conviver com seus erros, você também pode e deve conviver bem com os erros deles. Afinal, “errar é humano!”
O segundo passo é conhecer os seus alunos, saber onde vivem, o que fazem, qual sua visão de mundo, o que conhecem, o que gostam... Percebendo isso será muito mais fácil descobrir a origem do erro daquele aluno.
O terceiro passo é desmistificar a idéia de que existe um aluno ideal e acreditar que cada aluno que você terá ao longo da sua vida docente tem algumas áreas das quais ele se destaca – a isso se chama “Inteligências Múltiplas” (Gardner), e que isso deverá ser respeitado , por isso explore atividades em que o aluno tenha que se expressar de diferentes maneiras, pois nem todos tem facilidade em ficar horas escrevendo sobre tudo que fora dado durante o semestre.
O quarto passo é analisar os conteúdos que estão programados para aquela série que você irá trabalhar; ver se a faixa etária consegue lidar com elementos abstratos e/ou concretos é um grande passo.
O quinto passo é planejar – um bom planejamento, quando feito com certa antecedência, dá menos margem aos erros.
Agora é mão na massa...
Seus alunos erram? Por que? Quando? Como? Em que momentos?
A lógica de uma criança é muito mais simples do que a lógica de um adulto, isso se deve pela capacidade que o adulto tem de abstrair algo. Para a criança as coisas são como ela vê e ela manifesta como ela acha ou gostaria que fosse. Por exemplo: um menino de quatro anos ganha uma roupa de Super Homem e quer pular da janela. Segundo Piaget, ele está na fase simbólica, na cabecinha dele a partir do momento que ele coloca aquela roupa, ele ganha super poderes – ou seja, ele acredita ser o Super Homem e por isso, pode até cometer o erro de pular da janela.
Na teoria Piagetiana, a equilibração e a desequilibração estão sempre presentes. A criança acredita que algo é de um jeito; quando alguém diz para ela que aquilo não pode ser da maneira como ela pensa, ela busca, através da experimentação, novas maneiras de responder àquela pergunta. Por exemplo, nessa última semana, pedi a um aluno que escrevesse a palavra UMBIGO. Quando percebi, ele havia escrito “1BIGO”. Para muitos estaria claro, ele errou. Mas conhecendo-o, pude perceber que se tratava de um erro lógico, ele usou o raciocínio para se expressar, e isso era mais importante. É o mesmo caso da menina que responde que “o céu é nuvado”, quando o céu está cheio de nuvens. Esses são erros lógicos e para consertá-los, basta que o professor esteja atento e o desequilibre com perguntas que o façam chegar na resposta correta.
Na minha interpretação, todo erro tem lógica, a partir do momento que a visão de mundo do seu aluno é diferente da sua; o difícil é constatar o porque desse erro, qual foi a linha de pensamento que ele utilizou para chegar a essa resposta. E é por isso que volto a frisar a importância da atenção, do acompanhamento do professor.
Uma ótima fonte de pesquisa para o professor é o rascunho do aluno, nele o aluno colocou todo o seu pensamento e por isso, fica mais fácil para o professor identificar o erro.
Mas não basta só diagnosticar esse erro, é preciso auxiliar o aluno a chegar em uma resposta adequada, mostrando para ele que você compreendeu o motivo de seu erro, mas que você acredita que ele pode fazer melhor. Incentivar as tentativas e valorizar os acertos é uma excelente forma de evitar os erros .
Outra forma de auxilia-los é trabalhando com grupos, assim você está deixando com que pessoas que tem o raciocínio parecido – por terem a mesma faixa etária – pensem juntos e cheguem, mais facilmente a uma conclusão.
Concluindo... todo professor tem condições de auxiliar seus alunos revisando os conteúdos. Todo professor tem condições de detectar os erros e de identificar as razões para os mesmos. Por isso, acredito que falta força de vontade de fazer algo por aqueles que dependam de você. Professor, pare de culpar seus alunos por seus erros, coloque a mão na consciência e faça um trabalho de qualidade.
Vanessa Gerhard
Compreender os erros dos alunos sempre foi um desafio para os professores. Uns acreditavam que se o aluno erra é porque ele não presta atenção, ou não quer saber da matéria, outros acreditam que o aluno erra porque tem dificuldade, ou porque tem alguma deficiência – ou seja, o erro é sempre voltado para o aluno. A culpa do ato de errar é do aluno, portanto o professor nada pode fazer. É obvio que essas hipóteses não estão descartadas, mas , quando o professor tenta conhecer melhor o aluno e descobrir a origem do seu erro, o problema toma novo foco.
Ninguém é perfeito...
Se todo professor partisse dessa premissa, de que ninguém é perfeito, metade dos problemas que assombram os professores acerca do erro se resolveriam.
A meu ver, o primeiro passo para se acertar com os alunos é ter a certeza de você professor também erra, e que, se eles podem conviver com seus erros, você também pode e deve conviver bem com os erros deles. Afinal, “errar é humano!”
O segundo passo é conhecer os seus alunos, saber onde vivem, o que fazem, qual sua visão de mundo, o que conhecem, o que gostam... Percebendo isso será muito mais fácil descobrir a origem do erro daquele aluno.
O terceiro passo é desmistificar a idéia de que existe um aluno ideal e acreditar que cada aluno que você terá ao longo da sua vida docente tem algumas áreas das quais ele se destaca – a isso se chama “Inteligências Múltiplas” (Gardner), e que isso deverá ser respeitado , por isso explore atividades em que o aluno tenha que se expressar de diferentes maneiras, pois nem todos tem facilidade em ficar horas escrevendo sobre tudo que fora dado durante o semestre.
O quarto passo é analisar os conteúdos que estão programados para aquela série que você irá trabalhar; ver se a faixa etária consegue lidar com elementos abstratos e/ou concretos é um grande passo.
O quinto passo é planejar – um bom planejamento, quando feito com certa antecedência, dá menos margem aos erros.
Agora é mão na massa...
Seus alunos erram? Por que? Quando? Como? Em que momentos?
A lógica de uma criança é muito mais simples do que a lógica de um adulto, isso se deve pela capacidade que o adulto tem de abstrair algo. Para a criança as coisas são como ela vê e ela manifesta como ela acha ou gostaria que fosse. Por exemplo: um menino de quatro anos ganha uma roupa de Super Homem e quer pular da janela. Segundo Piaget, ele está na fase simbólica, na cabecinha dele a partir do momento que ele coloca aquela roupa, ele ganha super poderes – ou seja, ele acredita ser o Super Homem e por isso, pode até cometer o erro de pular da janela.
Na teoria Piagetiana, a equilibração e a desequilibração estão sempre presentes. A criança acredita que algo é de um jeito; quando alguém diz para ela que aquilo não pode ser da maneira como ela pensa, ela busca, através da experimentação, novas maneiras de responder àquela pergunta. Por exemplo, nessa última semana, pedi a um aluno que escrevesse a palavra UMBIGO. Quando percebi, ele havia escrito “1BIGO”. Para muitos estaria claro, ele errou. Mas conhecendo-o, pude perceber que se tratava de um erro lógico, ele usou o raciocínio para se expressar, e isso era mais importante. É o mesmo caso da menina que responde que “o céu é nuvado”, quando o céu está cheio de nuvens. Esses são erros lógicos e para consertá-los, basta que o professor esteja atento e o desequilibre com perguntas que o façam chegar na resposta correta.
Na minha interpretação, todo erro tem lógica, a partir do momento que a visão de mundo do seu aluno é diferente da sua; o difícil é constatar o porque desse erro, qual foi a linha de pensamento que ele utilizou para chegar a essa resposta. E é por isso que volto a frisar a importância da atenção, do acompanhamento do professor.
Uma ótima fonte de pesquisa para o professor é o rascunho do aluno, nele o aluno colocou todo o seu pensamento e por isso, fica mais fácil para o professor identificar o erro.
Mas não basta só diagnosticar esse erro, é preciso auxiliar o aluno a chegar em uma resposta adequada, mostrando para ele que você compreendeu o motivo de seu erro, mas que você acredita que ele pode fazer melhor. Incentivar as tentativas e valorizar os acertos é uma excelente forma de evitar os erros .
Outra forma de auxilia-los é trabalhando com grupos, assim você está deixando com que pessoas que tem o raciocínio parecido – por terem a mesma faixa etária – pensem juntos e cheguem, mais facilmente a uma conclusão.
Concluindo... todo professor tem condições de auxiliar seus alunos revisando os conteúdos. Todo professor tem condições de detectar os erros e de identificar as razões para os mesmos. Por isso, acredito que falta força de vontade de fazer algo por aqueles que dependam de você. Professor, pare de culpar seus alunos por seus erros, coloque a mão na consciência e faça um trabalho de qualidade.
Vanessa Gerhard
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